Tudo Pode Dar Certo
“Tudo pode dar certo” é Woody Allen de volta às origens. Nova York, sarcasmo e manias. Boris (Larry David, co-criador da série Seinfield) é um senhor bem rabugento, que reclama dos amigos, reclama da aposentadoria, reclama das viúvas, reclama dos programas de televisão, reclama dos jovens, reclama da geladeira, reclama de si mesmo, reclama, reclama e reclama... É demais pessimista, daqueles que culpam tudo e todos pelo fracasso da humanidade, pela ignorância dos seres humanos, pela burrice que se alastra cada vez mais, pela pouca inteligência das pessoas. Hipocondríaco, está sempre à procura de um paliativo pros seus males. É quase um paradoxo, acredita na ciência, no poder dos medicamentos e condena os que pedem ajuda aos céus, mas não deixa de lavar as mãos cantando duas vezes a adorável “parabéns pra você”, já que só assim se é capaz de eliminar totalmente as bactérias, segundo seu Transtorno Obsessivo Compulsivo.
Melodie (a cute-cute Evan Rachel Wood, de Across The Universe) é uma dessas mocinhas bobas, cheias de sonhos, sem muita maldade no coração e com nada de senso. Você fala, ela acredita. Você inventa uma teoria, ela faz disso uma lição de vida. Super disposta a colaborar e a aprender. Saiu de sua rica casa no interior, pra viver uma aventura qualquer na Big Apple. Há um espírito de liberdade nela, só não um discernimento para isso. Não pensou em trabalho, nem em moradia, nem em perigo, nem pensou em nada, aliás, há alguns anos ela não vinha pensando. Eis então que encontra Boris e pulft! Como resistir a uma doce menina pedindo um lugar pra ficar enquanto há frio e fome e pessoas más lá fora? E Melodie cresce muito com a companhia de Boris. Música clássica, teorias disso e daquilo, culturas, autores e afins. Ela se torna uma pessoa crítica, exigente com o mundo, tal como ele, mas ainda doce e simples.
E então, também chegam os pais atrás dela, surgem alguns romances, alguns pretendentes e a partir disso, todos começam a reavaliar todo o conceito de suas vidas. Uma reação em cadeia que envolve desprendimento de antigos pensamentos, trocas, aprendizado e tudo o mais. E todo o pessimismo ainda existe, todas as manias, todo o sarcasmo de um mundo falho e uma humanidade errônea, mas que, sobretudo, vive por um bem comum. Porque a vida adora contrariar as teorias, adora nos desmentir e nos pregar algumas curiosas peças. Porque o “Universo é um acaso cego sem sentido”, provando que ainda que tudo pareça conspirar pro lado errado, tudo pode mesmo dar certo.
Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works), (de Woody Allen, EUA, 2009) – 8,5
Com: Larry David, Evan Rachel Wood, Kristen Johnston, Patricia Clarkson, Michael McKean, Steve Antonucci e Ed Begley Jr.


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